Glossário Ilustrado de Cunicultura

Ao contribuir para este glossário, deve ter em especial atenção a originalidade das ilustrações a incluir assim como as referências a trabalhos de terceiros, quando os dados não pertençam ao domínio científico geral ou não sejam da responsabilidade do participante.

A

Adopção - Em média cada coelha pare 10 láparos, contudo uma vez que as duas glândulas mamárias peitorais apresentam pouca produção de leite há a necessidade de, por vezes, retirar 2 láparos e colocá-los juntamente com outra ninhada mais reduzida, no sentido de equilibrar e uniformizar a ninhada. No entanto, como desvantagem deste procedimento podem ocorrer rejeições por parte das mães adoptivas, não sendo algo frequente. (MALS, 2008)

Alimentação, água e outras substâncias farmacológicas com efeito terapêutico - Legislação:
Segundo o decreto-lei nº 64/2000 de 22 de Abril:
“17- Todos os animais devem ser alimentados com uma dieta equilibrada, adequada à idade e à respectiva espécie e em quantidade suficiente para os manter em bom estado de saúde e para satisfazer as suas necessidades nutricionais, não devendo ser fornecidos aos animais alimentos sólidos ou líquidos de um modo tal, ou que contenham substâncias tais, que possam causar-lhes sofrimento ou lesões desnecessários.
18- Todos os animais devem ter acesso à alimentação a intervalos apropriados às suas necessidades fisiológicas.
19- Os animais devem ter acesso a uma quantidade de água suficiente e de qualidade adequada ou poder satisfazer as necessidades de abeberamento de outra forma.
20- O equipamento de fornecimento de alimentação e de água deve ser concebido, construído e colocado de modo a minimizar os riscos de contaminação dos alimentos e da água e os efeitos lesivos que podem resultar da luta entre os animais para acesso aos mesmos.
21- Não serão administradas aos animais quaisquer substâncias com excepção das necessárias para efeitos terapêuticos ou profilácticos ou destinadas ao tratamento zootécnico, conforme o disposto no Decreto-Lei nº 150/99, de 7 de Maio, a menos que estudos científicos sobre o bem-estar animal ou a experiência tenham demonstrado que os efeitos dessas substâncias não são lesivos da saúde ou do bem-estar do animal.”

Alimentação e abeberamento- A dieta deve ser nutricionalmente adequada, de forma a manter a saúde dos animais, devendo ser ajustada às necessidades de gestação, lactação e crescimento. Os comedouros devem estar ajustados ao número de animais da jaula e à idade dos mesmos. Se a abertura do comedouro for demasiado pequena os coelhos podem lesionar-se na face ao tentarem alimentar-se. Se a abertura for muito grande, os pequenos láparos podem saltar para o seu interior e defecar na comida.Comedouros colocados demasiado alto podem ficar fora do alcance dos láparos, mas se estiverem muito próximo do chão podem sofrer contaminação com urina e fezes. O comedouro deve permitir que todos os animais da jaula tenham acesso simultâneo ao alimento, ou deve ser mantido sistema de alimentação ad libitum. Os animais devem ter acesso constante a uma fonte de água potável, mediante um sistema de sucção. Estes reduzem o risco de contaminação através de urina, fezes e pêlo. Os bebedouros devem estar localizados a 25 cm do chão da jaula e não se devem projectar para o interior desta mais que 2,5 cm, para não causar lesões aos coelhos.

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Alojamento e Instalações - Segundo o decreto-lei nº 64/2000de 22 de Abril que transpõe para a ordem jurídica nacional a Directiva nº 98/58/CE, do Conselho, de 20 de Julho, estabelecendo as normas mínimas de protecção dos animais nas explorações pecuárias:
“8- A liberdade de movimentos própria dos animais, tendo em conta a espécie e de acordo com a experiência prática e os conhecimentos científicos, não será restringida de forma a causar-lhes lesões ou sofrimentos desnecessários e, nomeadamente, deve permitir que os animais se levantem, deitem e virem sem quaisquer dificuldades.
9- Quando os animais estejam permanente ou habitualmente presos ou amarrados, deverão dispor do espaço adequado às necessidades fisiológicas e etológicas, de acordo com a experiência prática e os conhecimentos científicos.
10- Os materiais utilizados na construção de alojamentos, em especial dos compartimentos e equipamentos com que os animais possam estar em contacto, não devem causar danos e devem poder ser limpos e desinfectados a fundo.
11- Os alojamentos e os dispositivos necessários para prender os animais devem ser construídos e mantidos de modo que não existam arestas nem saliências afiadas susceptíveis de provocar ferimentos aos animais.
12- O isolamento, o aquecimento e a ventilação dos edifícios devem assegurar que a circulação do ar, o teor de poeiras, a temperatura, a humidade relativa do ar e as concentrações de gases se mantenham dentro dos limites que não sejam prejudiciais aos animais.(MALS, 2008)

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Alojamento Maternidade / Engorda- (MALS, 2008)
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Ambiente: tem um papel importante na prevenção dos problemas digestivos. O simples bom senso orienta-nos para uma profilaxia do tipo sanitário tendo em conta cada parâmetro ecológico.(MALS, 2008)

Ambiente como factor predisponente de afecções respiratórias:
• Excesso de humidade → Ambiente sufocante
• Falta de Humidade
• Mudanças bruscas de temperatura
• Correntes de ar
• Presença de gases irritantes (amoníaco)

B

Bem-estar animal - A produção intensiva de coelhos caracteriza-se por se criarem muitos animais em espaços reduzidos e com reprodução durante todo o ano. A profissão médico veterinária está a passar por uma transformação, atendendo à crescente valorização do bem-estar dos animais, com uma demanda de conhecimentos e actuação nesta área reconhecida em vários níveis. Os indicadores de saúde nos coelhos podem-se observar através do seu aspecto, estado corporal e comportamento. Além disso, o rendimento é um excelente sinal de saúde: libido e fertilidade nos produtores de sémen, fertilidade e produção de leite nas fêmeas, crescimento e homogeneidade nos láparos.

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Recomendações para o bem-estar dos Coelhos: Quase todos os sistemas de pecuária impõem restrições e algumas delas podem causar um grau inaceitável de desconforto ou sofrimento, impedindo que os animais satisfaçam as suas necessidades básicas. Devem ser consideradas necessidades, em animais de companhia:
- conforto e abrigo;
- acesso fácil a água doce e a uma dieta para manter os animais em plena saúde e vigor;
- liberdade de circulação;
- a companhia de outros animais da mesma espécie;
- a oportunidade de exercer a maioria dos padrões normais de comportamento;
- luz durante as horas de luz, iluminação prontamente disponíveis para permitir que os animais possam ser inspeccionados em qualquer momento;
- pavimentos que não prejudiquem os animais, nem provoquem tensões desnecessárias;
- a prevenção, diagnóstico e tratamento rápidos das lesões, doenças e infestações parasitárias;
- o impedimento da mutilação desnecessária.
O bem-estar dos coelhos pode ser salvaguardado sob uma variedade de sistemas de gestão. O sistema utilizado deverá ser adequado à saúde e necessidades comportamentais e fisiológicas do coelho. Este, juntamente com os equipamentos disponíveis e a habilidade do produtor, determinará o número de animais mantidos em qualquer momento e a forma pela qual são agrupados. Os coelhos são animais que precisam de atenção individual e frequente. É essencial que o produtor preste atenção aos sinais de perigo ou de doença e tome rapidamente medidas correctivas.
Os sinais que, em conjunto, indicam uma boa saúde num coelho foram definidos anteriormente. O produtor deverá ser capaz de reconhecer problemas iminentes na sua fase inicial e pode muitas vezes ser capaz de identificar a causa e instituir medidas de reparação, sob pena de que a ajuda veterinária ou outra assistência especializada deverão ser obtidas rapidamente. (MALS, 2008)

C

Canibalismo – Situação comportamental patológica em que a mãe morde/come/abandona o(s) láparo(s). Caso este comportamento se verifique em 2 partos consecutivos deve eliminar-se a fêmea. Em regime intensivo as principais causas na origem deste distúrbio são o excesso de número de coelhos por jaula, condições ambientais adversas, estado sanitário da mãe, animais muito nervosos, ninho mal acondicionado, falta de produção de leite, presença de roedores e outros animais estranhos, animais em estado carencial ou mal alimentados, parasitismo interno ou externo e alterações do instinto maternal (principalmente em primíparas). (MALS, 2008)
Às vezes quando os láparos são encontrados com os pés mastigados ou cadáveres parcialmente consumidos, deve-se suspeitar de canibalismo. Raramente é esse o caso e é mais provável que tenha sido um rato, gato, cobra ou outro animal. Mesmo que o sangue seja encontrado no seu nariz, a coelha não deve ser condenada, pois é natural que ela os lamba para auxiliar na cicatrização de feridas. Se não há dúvida de que a coelha está realmente envolvida, na maioria dos casos, será devido a um apetite anormal causado pela utilização de ração inadequada em quantidade ou qualidade, ou devido a um estado nervoso por ela ter sido perturbada. Embora não seja comum e normal a coelha mutilar ou mesmo devorar os próprios filhos, devemos verificar quem foi o responsável, para que possamos tomar as devidas providências.
Causas:
- Sede: durante e após o parto, a coelha sente muita sede e não tendo água para beber e para a formação do leite, fica desesperada e come os próprios filhos. Por essa razão, é necessário fornecer-lhe água limpa e fresca à vontade.
- Alimentação defeituosa: quando a coelha não recebe alimentos em quantidade suficiente ou essa alimentação é deficiente nos seus elementos nutritivos, principalmente proteínas, elas procuram ingeri-los para a sua manutenção ou produção. Por isso, devoram seus próprios filhos para, assim, ingerirem os elementos que lhe estão em falta para suas necessidades orgânicas. Dar à coelha uma ração bem equilibrada e rica em proteínas pode resolver o problema.
- Nervosismo: os coelhos são animais muito mansos mas assustam-se com facilidade e ficam muito nervosos com a presença de outros animais como cães e gatos, barulhos fortes ou repentinos, etc. Por esse motivo, as coelhas que estejam em trabalho de parto ou logo após parirem, quando se assustam e ficam muito nervosas, podem matar e até comer os filhos com o intuito de protegê-los novamente no seu ventre. Para que isso não aconteça, basta colocar as gestantes e parturientes em locais isolados e calmos para que fiquem bem tranquilas.
- Factor psicológico: pode ocorrer, no entanto, que a coelha seja realmente anormal, sofra de uma psicose e, por isso, coma seus próprios filhos. Nesse caso, quando a causa é psíquica, não há cura para este animal.
Prevenção:
Depois de começar o canibalismo é difícil parar de matar, e a mãe pode consumir toda a sua ninhada. A melhor coisa a fazer é ter certeza que ela tem um ambiente livre de stress e privado para cuidar dos seus jovens. Deve-se remover o macho no momento do nascimento ou imediatamente depois. Outras sugestões incluem:
Não mover a fêmea para uma nova gaiola.
Proporcionar um ninho e esconderijos.
Certificar-se que há uma abundância de alimento e água disponíveis.
Não manipular a mãe ou os bebés durante pelo menos os primeiros 10 dias após o parto.
Não limpar a gaiola pelo menos na primeira semana após o nascimento.
Remover os bebés mortos ou deformados imediatamente. (MALS, 2008)

Coccidiose por Eimeria stiedae
Protozoário do grupo das coccídeas que afectam os coelhos. Trata-se de um agente extra-intestinal, extremamente patogénico e que afecta as células epiteliais dos ductos biliares, provocando graves lesões hepáticas e uma taxa de mortalidade elevada, principalmente nas épocas de chuva. A infecção ocorre pela ingestão de oocistos esporulados. Estes chegam ao intestino, passando ao fígado via sistema hepático portal e linfáticos. No fígado penetram as células epiteliais dos ductos, e ocasionalmente as células do parênquima, dando origem ao esquizontes e posteriormente aos merozoítos (multiplicação assexuada). Os oocistos voltam ao intestino juntamente com a bílis, surgindo nas fezes 18 dias após a ingestão. A esporulação ocorre em três dias. A sintomatologia é observada predominantemente em láparos, sendo desde inaparente em infecções ligeiras, a anorexia, perda de peso, distensão abdominal (pendular), diarreia e icterícia em infecções mais graves. À palpação abdominal detecta-se uma hepatomegália. No parênquima hepático observa-se a formação de nódulos amarelados à superfície (Imagem 3) que contêm no seu interior um exsudado, dilatação dos ductos biliares, fibrose periportal e infiltrado inflamatório. Os adultos são geralmente assintomáticos, podendo inclusivamente ser portadores de grande quantidade de coccideas sem evidenciarem sintomatologia, tornando-se contudo uma potencial fonte de infecção para os láparos. O diagnóstico faz-se pela detecção de oocistos nas fezes e por exame histológico (necrópsia) do fígado e vesícula biliar. As coccideas hepáticas são difíceis de eliminar através da terapia coccidiocida, sendo o tratamento com coccidiostáticos mais eficaz e feito com Sulfonamidas (Sulfamerazina, Sulfaquinoxalina, Sulfametoxina, …). O controlo da infecção requer uma limpeza e desinfecção periódica das instalações (jaulas, camas, …), separação dos láparos dos adultos, evitar alimentos passíveis de terem sido contaminados por animais selvagens.(Resende H., 2009)

Coriza - Esta enfermidade, que aparece nas coelheiras em qualquer época do ano, manifesta-se em geral por abundante secreção da mucosa do nariz, acompanhada de espirros contínuos, podendo, conforme o caso ser benigno ou infeccioso. O aparecimento da coriza entre os coelhos é motivada não só pelas mudanças bruscas de temperatura, chuvas contínuas, ventos e humidade, como também pela poeira, alimentação deficiente e falta de higiene nas coelheiras. A coriza infecciosa é, em geral, encontrada em diversas enfermidades graves com lesões pulmonares, e infecção geral. A coriza é quase que comum nas criações cujos animais se alojam em coelheiras instaladas ao relento, expostas ao sol, chuva e humidade. O clima e a localização do terreno onde se acham instaladas as coelheiras influem consideravelmente no aparecimento de qualquer moléstia, principalmente tratando-se da coriza, quando sabemos que, em grande parte, a humidade, o vento e as mudanças bruscas de temperatura são os responsáveis pelo seu aparecimento. Com isto, vemos que é muito rara a existência de coriza nas criações onde as coelheiras estão colocadas em recintos fechados, que as abriguem do vento e chuva. Nessas condições, os coelhos assim protegidos, dificilmente poderão contrair constipações que os predisponham à coriza. No início da doença, os coelhos espirram continuamente, e nos casos benignos, não perdem o apetite e nem enfraquecem. Com o decorrer da doença, após 2 ou 3 dias, começa a sair pelas fossas nasais um corrimento aquoso e inodoro. O coelho assim atacado: (1) Esfrega constantemente o nariz com as patas dianteiras; (2) Chega a perder o apetite; (3) Fica triste e com os pêlos hirtos; (4) Apresentando os olhos embaciados; (5) Quase não se alimenta. A coriza, não sendo tratada em tempo útil, irá apresentar, além dos espirros, um corrimento ocular aquoso. Com a evolução da doença, este corrimento nasal torna-se mucoso, espesso, e quando aderente à ração do animal, chega a obstruir as narinas, determinando a morte do mesmo por asfixia. O aparecimento da coriza é muito comum durante o Inverno. Assim, em primeiro lugar devemos eliminar as causas determinantes da mesma e isolar os animais doentes. Estes deverão ser colocados em lugares secos, limpos e bem abrigados. Em geral, a morte do animal dá-se pela obstrução das fossas nasais, o que impede o animal de respirar. Isto acontece porque o corrimento nasal, em contacto com a ração, forma uma massa de consistência mais ou menos dura que, ao secar, chega a entupir completamente as fossas nasais. (Teixeira V., 2008)

D

Deformações nos dentes (mal oclusão) - Os dentes dos coelhos têm um crescimento contínuo e desgastam-se por um alinhamento perfeito. Os coelhos devem ter sempre ao seu alcance objectos que possam roer para desgastar os dentes. Se os dentes se encontram ligeiramente desviados o animal não os pode desgastar convenientemente, crescem demasiado e começam a sair fora dos lábios, então o coelho não pode fechar a boca, nem comer. Na maioria dos casos, esta condição é hereditária, Nunca se devem destinar animais, para reprodução, que tenham este tipo defeito. Segundo Vaccard, (1976), com frequência encontra-se nos coelhos uma dentadura mal-formada, registando-se concretamente casos de crescimento exagerado dos incisivos. Mas se tal se verifica a culpa deve atribuir-se quase sempre ao cunicultor, que durante o período de dentição se esqueceu de dar aos coelhos alguns caules duros para que, roendo-os, pudessem limar os incisivos. É sabido que estes crescem no coelho até 13 mm, por ano. Pode existir um segundo caso de dentadura anormal, denominado brachygnathia superior e que é devido a uma deformação craniana. O maxilar superior apresenta-se muito curto, não encaixando os dentes superiores com os inferiores, pelo que a função de roer os alimentos fica em absoluto prejudicada. Os dentes superiores, por seu turno, não encontrando obstáculo ao crescimento, acabam por alcançar um desenvolvimento excessivo. Esta doença não aparece durante o período em que o coelho é amamentado pela mãe, mas apenas quando começa a fazer uso dos dentes. Em ambos os casos a consequência grave, é que os coelhos, por não poderem mastigar, acabam por definhar e morrer de fome. O tratamento, ainda que temporário, é o corte dos dentes anormais. (Teixeira V., 2008)

Dermatofitose
Também designada “Tinha”, é uma micose superficial provocada por fungos, os Dermatófitos, que secretam enzimas (queratinazes) que degradam a queratina da pele, pêlo e unhas dos animais. As principais espécies envolvidas são o Trichophyton mentagrophytes e o Microsporum canis. Estes fungos têm uma distribuição mundial, assumindo uma grande importância epidemiológica, na medida em que, tratando-se de uma zoonose, é um problema de saúde pública. É uma doença contagiosa, afectando sobretudo animais debilitados e imunodeprimidos, como idosos, jovens, fêmeas gestantes ou lactantes. Existem também uma série de factores predisponentes que favorecem o seu desenvolvimento, como sendo a humidade e temperatura, o contacto com solos animalizados, deficientes condições higiénicas, antibioterapia e corticoterapia, imunodeficiência, carências alimentares (vitaminas A e D). A transmissão ocorre por contacto directo com animais infectados, ou por contacto indirecto com fómites (escovas, pentes, camas, …). Os sinais clínicos caracterizam-se geralmente por lesões alopécicas de conformação circular, com eritema periférico, hiperqueratose, escamas e crostas, assim como pêlos finos que caem facilmente. As lesões expandem-se centrifugamente, e formam grandes “peladas” circulares típicas. Estas lesões são, geralmente, não pruriginosas. Podem ser invadidas secundariamente por agentes bacterianos, provocando lesões infecciosas mais graves. Outras lesões observáveis são pápulas, pústulas ou furúnculos, nódulos purulentos inflamatórios, hiperpigmentação. As lesões localizam-se principalmente ao nível da cabeça, orelhas, membros, cauda e unhas. O diagnóstico é feito com base na sintomatologia e observação das lesões típicas, e pelo recurso a exames complementares, como o isolamento do fungo, exame microscópio do pêlo da zona de transição (recolhido na zona limite da lesão circular), observação da fluorescência emitida pelo fungo (Lâmpada de Wood – atenção aos falsos negativos). O tratamento consiste numa acção tópica (Imidazóis, Clorhexidina, Iodopovidona, …), numa acção sistémica (Imidazóis, Griseofulvina, …), ou em ambos, dependendo da gravidade da lesão. De notar que é fundamental controlar os factores predisponentes, promovendo a higiene, desinfecção para eliminação de esporos, o isolamento dos animais infectados, a escovagem, etc. (Resende H., 2009)

Densidade animal por jaula na engorda- (MALS, 2008)
Densidade

Doença hemorrágica viral do Coelho
Conhecida por septicemia vírica ou peste chinesa, disseminou-se pela Europa em 1988, actualmente é considerada a principal responsável pela elevada mortalidade do coelho bravo na Península Ibérica. É uma doença altamente contagiosa provocada por um vírus Género calicivírus, com taxas de mortalidade de 90%, afectando o coelho bravo europeu e os coelhos domésticos que dele derivam, a lebre europeia e outras espécies de coelho não padecem desta doença. Etiologia / Epidemiologia: A transmissão ocorre por contacto directo com coelhos infectados, via oral, conjuntiva e respiratória, e indirecta por insectos, aves e mamíferos, podem actuar como vectores. O homem pode ter um papel involuntário importante na disseminação da doença pelos repovoamentos com animais infectados sendo o Outono e Inverno os períodos de maior surtos da doença. Os adultos infectados por este vírus morrem subitamente entre 24 a 72 horas sem apresentar previamente sinais de doença. Sintomas e lesões: O vírus da DHV aloja-se e multiplica-se no fígado rapidamente após a infecção, é neste órgão que se encontra as lesões mais graves. Alguns animais podem apresentar sangue espumoso no nariz, edemas, hemorragias e congestão da traqueia e pulmão, fígado, baço, coração e tecidos linfáticos. Existe uma completa resistência dos coelhos jovens com menos de 8 semanas de idade a esta infecção. Existem experiências que apontam os coelhos jovens com reservatório deste vírus letal e contribuam para a disseminação desta doença. É um vírus muito resistente no meio ambiente, pode permanecer na matéria orgânica do solo 105 a 225 dias, resistindo a congelação, a temperaturas elevadas e a PH baixo. O vírus é sensível ao hidróxido de sódio a 10% (soda cáustica), formol 1,5% e hipoclorito de sódio 10% (lixívia). Tratamento e Prognóstico: Actualmente, existem varias vacinas comerciais mas só são permitidas em países com elevada taxa de prevalência desta doença, como no caso de Portugal e Espanha. As vacinas são usadas em cuniculturas onde inclui a criação do coelho bravo em cativeiro, dando uma protecção imunitária na ordem dos 100% nestes coelhos com revacinação a cada 6 meses. Existe uma vacina em Menorca capaz de transmitir-se entre a população silvestre, e que aguarda autorização da agência europeia do medicamento (EMEA) para a sua comercialização. Esta nova vacina pode ser importante na recuperação do coelho bravo, porque e uma vacina geneticamente modificada e capaz de ser transmitida por contacto directo de um coelho recém vacinado a um são e através de pulgas e outros insectos, evitando vacinas individuais. (Teixeira V., 2008)

E

Ectoparasitoses - Doenças causadas por parasitas que se alojam no interior do hospedeiro definitivo; os mais frequentes a nível de uma cunicultura são:

  • Sarnas: Psoroptes cuniculli; Sarcoptes scabiei; Notoedres cuniculli; Cheyletiella yasgury. Tratamento: Avermectinas e Permetrina.
  • Pulgas:Ctenocephalides canis e Ctenocephalides felis; Pulex irritans. Tratamento: Imidaclopride e Permetrina. (MALS, 2008)

Endoparasitoses - Doenças causadas por parasitas que se alojam no interior do hospedeiro definitivo; os mais frequentes a nível de uma cunicultura são:

  • Nemátodes: Passalurus ambiguus; Graphidium strigosum; Trichostrongylus retartaeformis; Obeliscoides cuniculli; Nematodirus leporis; Longistriata noviberiae; Trichostrongylus calcaratus. Tratamento: Citrato de Piperazina, Ivermectina e Fenbendazol.
  • Tremátodes: Hasstilesia tricolor; Hasstilesia texensis.
  • Céstodes: Cittotaenia variabilis; Railletina salmoni. Tratamento: Mebendazol
  • Protozoários: Eimeria spp.; Giargia duodenalis; Tricomastix cuniculli; Chilomastix cuniculli; Entamoeba cuniculli. Tratamento: Sulfaquinoxalina, Salinomicina, Diclazuril e Toltrazuril. (MALS, 2008)

Ecopatologia - Estudo da patologia em relação com o meio ambiente.
Em produções intensivas “racional” ou “industrial” o que ocorrem são patologias de grupo complexas e dominadas pela noção de síndromes.

Engorda (MALS, 2008)
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Enterotoxemia
Doença que resulta da absorção de toxinas produzidas por agentes a partir do sistema digestivo. Os agentes envolvidos são do género Clostridium, sendo as principais espécies o C. spiroforme, C. difficilis e C. perfringens tipo E. Os Clostridium têm distribuição mundial, encontrando-se no solo e trato gastrointestinal dos animais. O desenvolvimento de doenças pode ocorrer de forma espontânea em animais submetidos a factores predisponente, como o excesso de ingestão (dietas ricas em hidratos de carbono/pobres em fibras), alterações bruscas na dieta, infestações parasitárias, imobilidade intestinal, alterações climatéricas – stress, que vão provocar uma disbiose intestinal que favorece a multiplicação de clostrideos e consequentemente a produção de toxinas. O tratamento com antibiótico oral de largo espectro de uma doença (com Ampicilina, Clindamicina ou Lincomicina) pode também estar associado ao desenvolvimento desta doença, por favorecimento do desenvolvimento destes agentes em detrimento de outros (alteração da flora microbiana). Trata-se de uma doença que afecta todas as idades, sendo mais frequente nos láparos pós-desmame. Os sinais clínicos mais frequentes são a morte súbita, sem sinal prévio da doença, diarreia aquosa 2-3 dias antes da morte, timpanismo marcado. A toxina produzida provoca destruição das vilosidades intestinais e uma enterite hemorrágica (Ceco). Microscopicamente observa-se erosão/ulceração da mucosa, com perda de enterócitos e formação de pseudomembrana, e um infiltrado inflamatório na mucosa e submucosa. Uma simples coloração Gram pode pôr em evidência a predominância das bactérias Gram positivas (fisiologicamente predominam as Gram negativas) – indicativo de enterotoxémia. A detecção de toxina é difícil e muito dispendiosa. O tratamento revela-se tardio na forma aguda, no entanto na forma crónica pode fazer-se uma antibioterapia de largo espectro, e uma fluidoterapia de suporte. Deve-se controlar os factores predisponentes, não usando determinados Antibióticos, evitando factores de stress ambientais e não fazer mudanças bruscas na dieta. (Resende H., 2009)

F

Fossa (dejectos) - Permanece sem despejo durante pelo menos 1 ciclo de produção, de forma a contribuirem para o aquecimento do pavilhão. A manutenção das fezes é importante no aquecimento das instalações. A remoção pode ser feita diariamente, a cada 80 dias ou anualmente; este produtor opta pela remoção anual, fazendo tratamento frequente com cal viva. É periodicamente adicionada cal viva de forma a tentar controlar o desenvolvimente bacteriano/fúngico (MALS, 2008)
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G

Gestação - Aconselha-se a palpação abdominal 10-14 dias após a cobertura para fazer o diagnóstico de gestação. A gestação tem uma duração de 31-32 dias, dependendo da raça. O parto geralmente ocorre à noite. (MALS, 2008)

H

Higrometria - Parâmetro que determina o teor de vapor de água na atmosfera. A percentagem ideal numa cunicultura é de 70-75%. (MALS, 2008)

I

Idade à cobrição – É a idade à qual o animal é inseminado pela primeira vez. Em média nas explorações intensivas ocorre aos 4 meses, podendo variar consoante a raça (quanto mais pesadas mais tarde atingem a maturidade sexual, e por consequência são inseminadas mais tarde). A fêmea deverá ter atingido 80% do PV adulto. (MALS, 2008)

Idade ao desmame – Idade à qual é retirado o leite materno aos láparos, normalmente ocorre entre os 30-32 dias de idade (nunca antes dos 30 dias). Na exploração visitada o desmame é feito aos 35 dias de vida. Os láparos são marcados e colocados em lotes de 10 em cada jaula. A introdução do alimento sólido é realizada aos 17-21 dias. (MALS, 2008)

Iluminação - grau de luminosidade de um determinado espaço. Este parâmetro é essencial tanto no bem-estar animal como na regulação dos ciclos reprodutivos.(MALS, 2008)
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Índices técnico-económicos -(MALS, 2008)
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Instalações -

Exterior de uma exploração de Cunicultura (à direita da foto é possivel observar o sistema de ventilação existente na exploração).(MALS, 2008)
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Vista aérea da exploração anterior (através do Google Earth). (MALS, 2008)
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J

Jaulas - A área disponível para o coelho deve permitir que este se movimente com liberdade e que tenha acesso a alimentação e bebida. A área deve ser suficiente para que todos os coelhos se possam deitar em decúbito lateral simultaneamente. É necessário para as fêmeas gestantes um espaço em que deve ser introduzido um ninho, 2 dias antes do parto.

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Coelhos Área total necessária

Fêmeas e láparos até 5 semanas 0,56m²
Fêmeas e láparos até 8 semanas 0,74m²
Coelhos de 5-12 semanas 0,07m²/coelho
Coelhos a partir das 12 semanas (engorda) 0,018m²/ coelho
Reprodutores a partir das 12 semanas ( engorda) 0,56m²/ coelho

Quadro: Área mínima necessária para coelhos de porte médio (ex: New Zealand White)

As jaulas para coelhos com mais de 12 semanas de idade devem ter no mínimo 45 cm de altura, de modo a que o animal possa colocar-se de pé, apoiado sobre os membros posteriores e com as orelhas direitas (posição de alerta). Há no entanto autores que defendem que as jaulas multifunções (reprodução e engorda) convencionais (29 a 35 cm de altura) são adequadas. De facto, a posição de alerta permite, na natureza, que o coelho se aperceba da presença de predadores. Devido à inexistência destes na cunicultura esse comportamento é dispensável, como tal, a sua ausência não é necessariamente alarmante do ponto de vista do bem-estar animal. O piso no qual os animais são mantidos, não deve causar lesões aos animais, nem deve constituir um factor de stress. Para o vulgar piso de rede deve ser usado arame de tamanho adequado. O fio de arame quadrangular não deve exceder os 19x19 mm e o rectangular não deve exceder os 75x12,5 mm. Não é recomendado o uso de arame com diâmetro inferior a 2,64 mm. São preferíveis os fios de arame achatados, pois são de limpeza fácil. Podem-se usar placas sólidas de material não absorvente para minimizar as lesões provocadas pelo contacto prolongado com a grade. Estas placas não devem ser inferiores a 0,1 m² e devem ocupar cerca de ⅓ do piso da jaula. É necessário substituí-los regularmente ou proceder a escrupulosa limpeza e desinfecção. Para esta finalidade é vulgar utilizar-se uma rede de plástico (37,5 x 25,5 cm)

Jaula de maternidade (MALS, 2008)
Maternidade

L

Láparos - Com 4 dias já possuem pêlos e com 12 dias abrem os olhos; com 15 a 20 dias já saem do ninho e começam a comer a mesma comida que a mãe. A porta do ninho deve ser retirada no máximo, quando atingem 20 dias. (MALS, 2008)

K

M

Mixomatose - A Mixomatose é uma doença vírica altamente contagiosa e quase sempre fatal num período de 6 dias a 2 semanas, que afecta os coelhos. Etiologia:É causada por um vírus Género Poxvírus originário do Continente Americano em que o coelho selvagem americano do género sylvilagus e a lebre são resistentes a doença mas sim portadores do vírus. O coelho bravo e as raças domésticas que dele derivam desenvolvem a doença. O vírus transmite-se por contacto directo com coelhos doentes mas principalmente por vectores, como por exemplo mosquitos, pulgas, carraças, ou piolhos. Os insectos que se alimentam de sangue podem manter o vírus activo durante messes e disseminar esta doença. Após a picada pelo insecto contaminados sintomas podem aparecer entre 5 dias e uma semana. A transmissão pode ocorrer de forma indirecta através de jaulas, agulhas, comedouros, alimentos contaminados por excreções e exsudados nasais e lacrimais. A Mixomatose está sujeita a surtos anuais, dependendo do clima, da região, da quantidade e tipo de insecto vector presente, logo os meses mais quentes e húmidos primavera e verão são os períodos de maior risco. Sintomas e lesões: Os sintomas principais e lesões surgem sob duas formas clínicas: Forma clássica ou nodular – o coelho apresenta edemas e nódulos na cabeça e zona anal e genital, alastrando-se a todo o corpo, ocorrendo a morte 10 – 15 dias após a infecção; Forma atípica ou respiratória – neste caso surge sintomas respiratórios e oculares sem aparecimento dos nódulos característicos, originem lesões inflamatórias nas pálpebras, conjuntivas, nariz, hemorragias pulmonares e pneumonias bacterianas. No início, as taxas de mortalidade registadas chegaram a ser de 99%, tendo a virulência do agente diminuído de forma progressiva devido ao desenvolvimento de resistência genética em algumas populações de coelhos e sobretudo pelo aparecimento espontâneo de estirpes de vírus atenuadas, reduzindo a taxa de mortalidade para 50 a 70% e prolongando a duração da doença de 6 para 30 dias. Tratamento e Prognóstico: As estirpes pouco virulentas acabam por funcionar como vacinas naturais, uma vez que os coelhos que sobrevivem à infecção desenvolvem uma forte resposta imunitária. No entanto, todos os anos, cerca de 35% dos coelhos mais jovens morre por acção directa ou indirecta uma vez que facilitam a predação da Mixomatose. A prevenção da doença faz-se através da vacinação e controlo de insectos. Existem dois tipos de vacina para a Minorados, a vacina mais indicada e a que e feita a partir do vírus do Fibroma de Shope que e um vírus semelhante ao vírus da Mixomatose, mas que afecta apenas a lebre e não o coelho, mas induz uma excelente resposta imunitária. (Teixeira V., 2008)

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Necrobacilose plantar (“Mal de patas”) - O abcesso da planta das patas constitui a afecção mais vulgar e conhecida de todas as explorações cunícolas. Estes abcessos crónicos são muito mais frequentes nas patas posteriores. Começam por uma tumefacção pouco visível mas que se nota pela palpação. Pode limitar-se aos tecidos cutâneo e conjuntivo. A pele fica grossa (paraqueratose), com crostas; a infecção fica latente e as chagas por vezes são sanguinolentas. Uma falta de higiene do pavimento da jaula pode provocar uma infecção secundária. Então o abcesso invade os metatarsos, tornando-se francamente purulento. A infecção apresenta-se tanto nas criações no solo como sobre a rede metálica, afectando sobretudo os reprodutores. Nas criações sobre cama, a causa principal é a má conservação dos materiais usados, que tornam húmidos e pútridos. Podem ocorrer infecções diversas (estafilococos, fungos), mas a mais temível está relacionada com o Corynebacterium que provoca uma gangrena necrosante, de odor nauseabundo, e pode se estender à cabeça e a todo o corpo tornando-se contagiosa (necrobacilose) A má qualidade, rugosidade, fios pegados, malhas demasiado largas e a ferrugem são os defeitos principais da rede metálica, constituindo outros tantos factores que favorecem o desenvolvimento dos abcessos sub-plantares. As raças pesadas de coelho criam-se em piores condições sobre rede metálica que as outras. A luta contra esta é sobretudo preventiva, contemplando os seguintes aspectos: (1) Eleição de raças médias e de animais cujas patas estejam providas de pêlo abundante na face inferior, o que protege a pele (Neozelandesa e Californiana); (2) Escolha de uma rede metálica com fios grossos, soldados, galvanizados, cuja largura de malha esteja compreendida entre 13mm e 15mm. A rede não deverá irritar a palma da mão quando esta é esfregada na superfície; (3) - Camas sempre secas e limpas; (4) Lavagem e desinfecção frequente das jaulas. Os tratamentos são difíceis. Quando não se verificam supurações francas, podem efectuar-se tratamentos diários às feridas e, com dois dias de intervalo, aplicação de antisépticos eficazes (iodo). Não se deve desprezar a actividade antifúngica do iodo e do permanganato nas criações sobre a cama. Não se recomendam as pomadas antibióticas porque o tratamento é longo e dispendioso. Quando os abcessos ficam purulentos ou quando as patas anteriores estão afectadas, a infecção torna-se incurável e os animais serão eliminados. Caso se verifiquem outros abcessos, especialmente na cabeça (necrobacilose), o animal deverá ser incinerado ou enterrado a grande profundidade. Os abcessos sub-plantares tornam, para os machos, praticamente impossível o salto. Aos animais infectados deve ser proporcionado um estrado, pelo menos numa parte da gaiola, enquanto durar o tratamento, para evitar a contínua irritação da área ferida. (Teixeira V., 2008)

Ninhos - Imprescindíveis para as jaulas de reprodução. Neles nascem os láparos e tem como função protegê-los do frio. Devem ser colocados nas jaulas dois a três dias antes do parto e devem ser forrados com serrim, palha ou feno macio. As fêmeas costumam arrancar os pêlos da região abdominal ventral para também colocar no ninho. Durante a gestação a fêmea necessita apenas de um lugar tranquilo sem outros cuidados especiais. Cada ninhada tem em média 8 láparos. Quando esse número for maior é recomendável transferir o restante para outra fêmea que tenha tido uma ninhada menor de forma a serem amamentados adequadamente. Deve-se, porém, tomar a precaução de escolher láparos do mesmo tamanho da ninhada receptora, impregná-los com o cheiro da ninhada existente e procurar ter o menor contacto manual possível para facilitar o processo de adopção. Logo após o parto o ninho deve ser examinado retirando-se os nados-mortos e observando se os láparos permanecem juntos e não espalhados por todo o ninho. Os ninhos deverão ser examinados diariamente e deverão ser retirados aos trinta dias pós-nascimento.

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Material utilizado: madeira, metal, plástico ou fibrocimento. Dimensões: 25 centímetros de altura, 40 centímetros de comprimento e 30 centímetros de largura. Na entrada do ninho devem existir rebordos para evitar que os láparos saiam durante os primeiros dias de vida. O ninho pode ser interior ou exterior. No segundo caso penduram-se os rebordos nas paredes da jaula e é fechado com uma abertura circular com 15 centímetros de diâmetro. Na parte superior leva uma tampa para poderem ser efectuados os controlos.

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Parques - Para além de jaulas, na criação intensiva de coelhos para produção de carne, os animais podem também ser alojados em parques. Esta hipótese não se encontra muito vulgarizada, sendo que os cunicultores têm preferência pelas jaulas. É de salientar, no entanto, que um estudo apresentado nas I Jornadas Científicas do CECAV demonstrou que os animais alojados em jaulas apresentavam um maior número de comportamentos estereotipados (lamber e morder a jaula). A existência deste tipo de comportamento é reveladora de problemas de bem-estar que podem estar associados a uma situação de frustração. Pelo contrário, animais alojados em parques manifestam um comportamento de movimento superior, que é um indicador de bem-estar (a sua discriminação está relacionada com condições de maior stress para os animais). Conclui-se então que há um comportamento mais favorável nos coelhos alojados em parques (principalmente se o piso é revestido por aparas de madeira, em vez da habitual rede).

Peso ao desmame – O peso do láparo no momento do desmame deve ser entre 600-1000 grama. (MALS, 2008)

Profilaxia Médica- A profilaxia médica passa por dois pontos essenciais: vacinação e desparatisitação. Em cunicultura, usam-se vacinas virais mortas, vacinas atenuadas, homólogas ou heterólogas; estes conceitos são definidos no ponto da vacinação. Em algumas situações, a ocorrência de doença pode ser prevenida através da vacinação. Embora a vacinação não necessariamente previna a infecção, a sensibilização prévia do sistema imunológico permite uma resposta rápida e eliminação do vírus, antes que a doença ocorra; ou fazendo que a doença seja leve e de curta duração. De facto, a vacinação é o método mais eficaz e com melhor relação custo-benefício em saúde animal. Existem dois tipos principais de vacinas virais de utilização veterinária e que são amplamente utilizadas na prática clínica corrente: as produzidas com o vírus morto (inactivo); e as produzidas com o vírus vivo modificado (atenuado).
As vacinas víricas mortas são compostas pelo vírus; este geralmente é cultivado em culturas celulares ou em ovos embrionados e, posteriormente, são inactivados quimicamente, com recurso à formalina ou β-propiolactona. Normalmente, estas vacinas contêm adjuvantes para as tornar mais imunogénicas. Este tipo vacinal requer mais do que uma dose para induzir imunidade e revacinações periódicas para manter uma imunidade adequada. Assim, estas vacinas induzem uma imunidade menos protectora e de menor duração que aquela que é induzida pelas vacinas vivas modificadas. É importante salientar também as vantagens que as vacinas inactivadas possuem: não revertem à virulência e são seguras para uso em fêmeas prenhes e em animais imunodeprimidos.
As vacinas vivas modificadas são compostas por vírus tornados menos virulentos por algum método. Isso geralmente é obtido através de múltiplas passagens em culturas celulares, ovos embrionados ou animais de laboratório. Os vírus também podem ser atenuados pela delecção de genes específicos responsáveis pela sua virulência. Este tipo vacinal geralmente confere longa imunidade, pois a vacinação mimetiza a infecção natural. Uma vacina adequadamente atenuada não deve causar doença nos animais vacinados, mas potencialmente pode causar doença em indivíduos imunodeprimidos ou em fetos. Algumas vacinas vivas modificadas podem ser administradas pelas vias oral, nasal ou genital (prepucial ou vaginal), onde irão induzir resposta humoral local (IgA). A principal desvantagem das vacinas atenuadas é a possibilidade de causarem sinais clínicos suaves, infecções fetais letais e o risco do vírus atenuado reverter à virulência. O vírus vacinal atenuado pode ser transmitido entre animais (Wise, 2003).
Um antiparasitário é um fármaco usado para doenças causadas por parasitas; estes podem ser externos (sarnas) ou internos (coccidiose). O objectivo deste fármaco é causar a morte do parasita, sendo que o mecanismo de acção varia consoante o fármaco usado. As formas sob a qual os fármacos são disponibilizados ao público são: injectável subcutânea ou intramuscular, líquida oral, bolos ou cutânea. A quantidade de desparasitante utilizada varia com o peso do animal, fármaco e nível de infecção.
Para a escolha de um produto para aplicação sistémica, é importante saber que tipo de parasitas que se encontram com frequência nos animais que vamos tratar. Quando a infecção é elevada, deve ser usado um produto de largo espectro e, embora possa ser mais caro, apresenta uma maior eficácia para uma maior variedade de parasitas.(MALS, 2008)

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Sarna das orelhas ou Sarna psoróptica - É menos prejudicial que a sarna sarcóptica e facilmente curável. Esta é uma doença comum nas criações de coelhos, cujo rápido contágio facilita em pouco tempo a propagação da moléstia entre todos os animais. A sarna auricular é uma doença parasitária ocasionada por dois parasitas, Psoroptes cuniculi e Chorioptes cuniculis, os quais se localizam dentro do ouvido do coelho, na parte profunda da pele, provocando formas de otite de gravidade diversa e algumas vezes transtornos nervosos, perdas de equilíbrio, torcicolo e até mesmo a morte do animal quando não tratado a tempo. A primeira manifestação da sarna de orelha começa pelo aparecimento de forte irritação, no interior de um dos ouvidos do coelho, seguida de inflamação e formação de uma secreção espessa, que em poucos dias torna-se serosa e amarelada. Com a continuação da moléstia, esta serosidade engrossa-se cada vez mais, havendo formação de crostas ou escamas de cor amarelo-pardo, aderentes à parte interna da orelha fechando completamente o ouvido do animal. Os animais atacados, com esta doença, tornam-se inapetentes, fracos, emagrecendo rapidamente, o animal doente inclina a cabeça para o lado doente, procurando coçar com as patas a orelha atacada. Com o avançar da doença, encontram-se junto com as crostas, sangue e pús, de cheiro prurido. Tratando-se de uma doença muito contagiosa, o criador deverá tomar as medidas de profilaxia e higiene a fim de impedir a propagação da doença, (www.saudeanimal.com.br). Para o coelho doente aconselha-se, que o cunicultor faça o seguinte tratamento, logo após os primeiros sintomas: lavar cuidadosamente a zona sarnosa com água morna e glicerina, e, em seguida, desprender com cuidado as crostas com o auxílio de um palito com o algodão, evitando fazer sangrar a orelha; tanto as crostas como o palito com o algodão devem ser queimados logo depois de utilizados; também se aconselha a deitar no ouvido gotas de azeite e petróleo, em partes iguais, ou de sulfureto de potássio a 4% ou ainda crestose e glicerina a 1%. Segundo Vaccard (1976), outro método eficaz para debelar a doença é eliminar as crostas limpando-as com algodão embebido em água oxigenada diluída, tratando depois as partes infectadas com uma pomada de enxofre, ou então glicerina fenicada a 5%. Também se pode usar com bons resultados a pomada de Helmerich, composta por 70g de carbonato de potássio, 15g de enxofre e 60g de banha de porco. A sarna das orelhas pode em alguns casos, transmitir-se ao homem, pelo que não é demais recomendar prudência nos contactos com animais sarnosos. Como medida profilática, deve-se manter uma limpeza rigorosa nas coelheiras. Não permitir a entrada de animais doentes na criação; todos os coelhos deverão ser examinados periodicamente, e a título preventivo, fazer uma aplicação mensal de sarnicida em todos os animais. Os animais doentes deverão ser logo medicados e isolados. As gaiolas ocupadas pelos coelhos doentes deverão ser desinfectadas de preferência queimadas com o lança-chamas. (Teixeira V., 2008)

Sistema de alimentação (MALS, 2008)
Alimentação

Sistema de alimentação automatica: tubagem (MALS, 2008)
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Sistema de alimentação automatica: silos (MALS, 2008)
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Sistema de arrefecimento - Parede de celulose: sistema de arrefecimento feito de celulose com capacidade absorvente. Deve ser substituída a cada 4-5 anos devido à obstrução dos orifícios ou danos no próprio material. Em vez de se utilizar este tipo de material pode-se optar pelo uso de tijolo. No Inverno tapa-se a parede com lona e as janelas da parte superior do pavilhão são abertas. (MALS, 2008)

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Som - Os sons de qualquer natureza podem tornar-se factores de agressão e stress quando emitidos em grande “volume” ou de “surpresa”. Para evitar estas agressões o produtor opta pela instalação de um rádio que cria um nível de ruído constante, reduzindo a intensidade dos factores de stress.(MALS, 2008)

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Taxa de fertilidade - É definida como o número de fêmeas paridas sobre o total de fêmeas que se encontram em reprodução. A taxa de fertilidade média por ano da cunicultura industrial visitada (Frechas, Mirandela) é de 82-83%. (MALS, 2008)

Taxa de mortalidade ao desmame - É definida como o número de animais mortos ao desmame sobre o número total animais. Esta taxa apresenta valores mais elevados na primeira semana de vida, sendo esta aceitável até aos 15% na exploração visitada. (MALS, 2008)

Taxa de mortalidade ao nascimento - É definida pelo número de nados-mortos sobre o total de nascimentos ocorridos. (MALS, 2008)

Taxa de mortalidade das reprodutoras - É definida como o número de animais mortos sobre o total de animais. (MALS, 2008)

Taxa de prolificidade - É definida como número de crias produzidas sobre o número de fêmeas paridas. (MALS, 2008)

Temperatura - É um parâmetro físico descritivo de um sistema que vulgarmente se associa às noções de frio e calor, bem como às transferências de energia térmica, mas que se poderia definir, mais exactamente, sob um ponto de vista microscópico, como a medida da energia cinética associada ao movimento (vibração) aleatório das partículas que compõem o um dado sistema físico. Em cuniculturas a temperatura ideal situa-se entre os 20-25 ºC. Temperaturas extremas levam a infertilidade.

Controlador da temperatura interna (termómetro; MALS, 2008)
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Vacinação - Existe na actualidade várias vacinas comerciais para a Mixomatose e a DHV. Estas vacinas são usadas nomeadamente nas cuniculturas (onde se inclui a criação de coelho bravo em cativeiro) e nos coelhos domésticos, possibilitando uma protecção imunitária na ordem dos 100% nestes coelhos. Existem dois tipos de vacina para a Mixomatose: As vacinas homólogas, preparadas a partir de estirpes atenuadas vivas deste vírus ou as vacinas heterólogas, ou seja a partir do vírus do Fibroma de Shope (vírus semelhante ao vírus da Mixomatose, mas que apenas afecta a lebre e não o coelho, mas induz uma excelente resposta imunitária). Esta última vacina feita a partir do vírus do Fibroma de Shope é em termos de biossegurança a mais indicada para os coelhos bravos de cativeiro, pois a outra vacina feita a partir de estirpes atenuadas (mas vivas) do mixovírus, está completamente contra-indicada a sua utilização em meios infectados! As vacinas disponíveis para a DHV, são obtidas a partir de triturado de fígado de animais infectados experimentalmente, purificadas, o¬nde depois o vírus é inactivado. No entanto estas vacinas são ineficazes para o controle destas doenças nas populações cinegéticas por razões óbvias que aqui vamos enumerar:
1. Requerem uma administração individualizada para cada animal e para cada doença;
2. Não existe qualquer transmissão horizontal coelho-coelho;
3. Não existe qualquer transmissão vertical de imunidade coelha-láparos;
4. Necessitam de revacinações mínimas de 6 em 6 meses;
5. Necessitam que os coelhos a vacinar estejam em boas condições higiénicas, livres de parasitas e de qualquer doença, e que não sejam submetidos a qualquer tipo de stress, a fim de assegurar uma boa resposta imunitária.
Como se compreende, este tipo de vacinas é inviável para vacinação da população silvestre, mas extremamente útil para os coelhos de repovoamentos.

PERSPECTIVAS DE NOVAS VACINAS
Do exposto anteriormente, torna-se necessária uma aposta no desenvolvimento de novos tipos de vacinas capazes de imunizar as nossas populações cinegéticas. Nesse sentido, em 1996, um convénio entre a Real Federação Espanhola de Caça e o INIA, permitiu iniciar um projecto de investigação no Centro de Investigação de Sanidade Animal (instituto do Ministério do Ambiente Espanhol) coordenado pelo director do centro Dr. José Manuel Sánchez Vizcaíno. O objectivo desta investigação está na criação de uma vacina que seja capaz de transmitir-se entre a população silvestre.
Os resultados deste projecto permitiram seleccionar uma estirpe (estirpe 6918) do mixovírus “in vivo” (dos campos cinegéticos infectados), com baixa mortalidade e morbilidade, mas com uma boa capacidade de transmissão coelho-coelho. Após seleccionada esta estirpe, através de engenharia genética, foi inserido nesta estirpe de mixovírus a sequência genética que codifica uma proteína estrutural do vírus DHV (proteína VP60). Esta proteína viral, revelou-se ser altamente imunogénica, sendo capaz de produzir imunidade total frente a doses letais do vírus DHV.
Concluindo, construiu-se uma vacina com um vírus recombinante denominado Mixoima 6918-VP60, capaz de proteger os coelhos vacinados frente à Mixomatose e a DHV, transmitindo-se também de forma eficaz de coelho recém-vacinado para coelhos sãos.
No entanto este tipo de vacina tem de obedecer a uma série de requisitos relacionados com a biosegurança. Assim, com a autorização da Comissão de Biossegurança e da Agência do Medicamento Espanhol, foi levado a cabo uma série de ensaios desta vacina recombinante em condições naturais, nomeadamente no que respeita:
• Disseminação e transmissão da vacina na fauna silvestre;
• Impacto ambiental e seus possíveis efeitos colaterais no meio ambiente;
• Risco de sobredosagem da vacina em coelhos já inoculados;
• Efeitos da vacina em coelhas gestantes e animais imunodeprimidos (doentes, parasitados, subnutridos);
• Estabilidade genética do vírus recombinante vacinal e possibilidade de reversão em estirpes virulentas;
Assim foi autorizada a utilização experimental desta vacina na ilha de Aire em Menorca, o¬nde estavam recenseados uma população de 300 coelhos, tendo sido vacinados cerca de 75 destes. Concluiu-se que todos os coelhos vacinados adquiriram uma boa imunidade frente a estas doenças e que 45% dos coelhos desta colónia possuíam anticorpos vacinais. Inclusive, durante esta experiência, surgiu um surto de mixomatose, o¬nde sobreviveram cerca de 75% da colónia.
Nestes ensaios mostrou-se que a transmissão da vacina 6918-VP60 dá-se por contacto directo entre os coelhos mas também através das pulgas e outros insectos, mas apenas durante os primeiros oito dias após a vacinação, transmitindo-se a cerca de 50% dos coelhos próximos aos coelhos inoculados e destes 50%, apenas transmitiram o vírus vacinal a 10% dos coelhos que contactaram. Ou seja, o vírus vacinal é auto-limitante, pois a capacidade de transmissão vai-se perdendo de coelho para coelho, o que torna a vacina ainda mais segura. A conclusão global destes ensaios preliminares mostra que esta vacina 6918-VP60 é segura e respeita os principais requisitos de biosegurança. Assim com base nestes resultados promissores e cientificamente validados na comunidade científica, levou a que o INIA-Ministério Ciência e Tecnologia de Espanha apresentasse uma patente nacional e internacional, onde foi solicitado à Agência Europeia do Medicamento (EMEA), organismo o¬nde a nova vacina irá ser avaliada e autorizada a sua comercialização e uso nos programas de recuperação do coelho bravo, já que se trata de uma vacina geneticamente modificada a partir de um organismo vivo. (Teixeira V., 2008)

Ventilação - parâmetro físico descritivo de um sistema que associa vulgarmente a noção de quente e frio, é a medida da energia cinética associada ao movimento aleatório de partículas que compõem um dado sistema físico.
Ventilação forçada: sistema de renovação de ar de um espaço fechado.
A circulação de ar é feita por ventilação forçada sendo o ar renovado por extractores de 23m3 ocorrendo a humidificação e o arrefecimento.
Quando os extractores estão no seu funcionamento máximo permitem a manutenção da temperatura a 23ºC. (MALS, 2008)

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Vida útil produtiva – É o tempo decorrido desde a primeira inseminação até ao refugo (após o desmame do último parto). O tempo de vida útil produtiva é, geralmente, 1 ano. (MALS, 2008)

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X

Y

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Referências bibliográficas e links de interesse:

http://www.unb.br/fav/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=31&Itemid=85
http://www.dgv.min-agricultura.pt/legislacao/docs/27601.pdf
http://www.jmrosellp.com/Profilaxia.Pt.2002.pdf
http://www.zootecniabrasil.com.br/sistema/modules/wfsection/article.php?articleid=50
http://msucares.com/livestock/small_animal/cann.html
http://www.petplace.com/small-mammals/cannibalism/page1.aspx
Singla L.D. , Juyal P.D., and Sandhu B.S., 2000. Pathology and Therapy in Naturally Eimeria stiedae-Infected Rabbits. J. Protozool. Res. 10, 185-191. http://ir.obihiro.ac.jp/dspace/bitstream/10322/131/1/Prot.Vol.10-4-3.pdf
Soulsby E.J.L.. Parasitología y Enfermedades parasitárias en los animales domésticos, 7ª edición. Nueva editorial interamericana, 1987.

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